segunda-feira, 31 de agosto de 2015

DÖD OCH BLOD - O SERVER DO BATTLEFIELD 2

DÖD OCH BLOD - O SERVER DO BATTLEFIELD 2

Para quem não sabe, Battlefield 2 é considerado por muitos, o melhor jogo multiplayer de 2005, eu acho, digo, achava, até que tal coisa aconteceu...

Quatro anos atrás, estava jogando junto com o meu amigo equatoriano Juán e nós gostávamos de jogar como inimigos neste jogo, até que era legal, ele tinha seus amigos jogando e eu tinha desconhecidos jogando, num server chamado Död och Blod, apelidado pelo Juán.

Estávamos jogando o "Operation Clean Sweep" e minha equipe, a "MEC", estava ganhando da equipe do Juán, o "USMC", acabou a partida e era para ter acabado o server, mas logo apareceu um mapa, que na verdade, não tinha o mapa e estava escrito "666". Falei se era uma boa ideia jogar este mapa e ele falou que sim, tinha falado que era diferente e podia ser legal.

Quando entrei, começou escuro e não tinha equipe, Juán e eu achamos estranho, pois isso não era comum no jogo, nem nos mods tinha, enfim, meu amigo falou que era sobrevivência e deveria ter alguns da força inimiga.

Escolhi minha arma e apertei "Done"

O que veio era uma tela escura e 15 jogadores, entre eles meu amigo, sem contar eu, porém carregou o mapa e era uma selva, achei uma maravilha, e tinha meu esquadrão, tipo, era líder. Tinha um objetivo, que era para ir num lago, eu concordei com o Juán e nós fomos até o lago, Juán estava levando um amigo dele para acompanhar...

Chegando, o lago estava vermelho, apertei "M" e estava o mapa, todo configurado, tipo, carregado, e mostrava o lago vermelho e lá no sul, tudo amarelo-escuro. Comecei a ficar com medo e decidi explorar o lago com o meu amigo.

Chegamos no fim e o que eu vi foi vários corpos, todos virados de cabeça para cima, e, segundo minha contagem, tinha 15 corpos. Mas o que eu vi era chocante...

Entre eles estava o rosto do meu amigo Juán, e tinha de todos os que estavam neste server, menos o meu. De repente o amigo dele sumiu, e a sua última palavra era: "SOCORRO!" e de repente, um corpo sumiu.

Logo foi três corpos, logo foi mais dois, e ficou sumindo até que sobrou um corpo, do meu amigo.

O que ele falou foi uma frase seguinte: "Agora eu entendo tudo, sou a ultima pessoa a morrer neste server, eu só queria falar adeus, mas tenho que falar uma coisa: Död och Blod significa Sangue e Morte, em sueco. ZAAAAAXSERDCTFVGYBUNJCDRWZ ADEUS"

O que eu pude entender, ele estava arrastando seu teclado, só não entendi a ultima palavra dele, o ADEUS.

Logo o server sumiu, e apareceu a tela inicial do meu computador, era o rosto do meu amigo Juán, mas o que eu vi foi o que me assombra até agora, aparecia o rosto dele, sem os olhos.

Logo apareceu uma mensagem escrita assim: "Obrigado por jogar, ah, seu amigo Juán foi morto, ADEUS"

E queimou meu computador, estava com raiva e ao mesmo tempo, com medo. No dia seguinte, estava assistindo noticiário até que apareceu uma notícia que estava assim: "Três garotos em Los Angeles morreram num tiroteio numa Lan House, o jogo que eles estavam jogando era Battlefield 2". Fiquei com medo e corri para o computador do meu pai e fiquei vendo vários sites, todos estavam escritos assim: "Um garoto morreu numa avalanche em Noruega, perto do seu computador, jogando Battlefield 2" Este era só um exemplo, até que apareceu uma notícia escrita assim: "Juán morreu jogando Battlefield 2, leu isso? ADEUS"

Até hoje ninguém encontrou o assassino de todos...

Bully (A Missão Removida)

BULLY (A MISSÃO REMOVIDA)

Bully parece apenas mais um jogo normal. Mas, ele tem um lado oculto que poucos conheceram. Antes do lançamento do jogo Bully, a Rockstar Games tinha feito uma missão assustadora, esta missão chamava-se "Help Petey", assim que ela foi feita, os produtores do jogo apagaram imediatamente a missão, porquê ela era perturbadora, tinha cenas de sangue, cenas fortes e torturas, e até corpos humanos. Dizem que, mesmo com esta missão apagada, a Rockstar lançou um CD do jogo Bully que tinha esta missão, foi apenas um CD, e apenas uma pessoa no mundo compraria, por pura coincidência. Existe um jogador de Bully que disse que comprou esta única versão e viu esta missão assustadora, ele relatou tudo na internet, mas não se identificou. Nesta missão, o jogador tem que salvar um amigo de Jimmy Hopkins (Personagem principal do jogo), este amigo é Pete Kowalski, Jimmy deve salvá-lo do zelador assassino da escola, Pete teria invadido a área do zelador, uma área onde o zelador guarda os corpos das pessoas que ele matou. Jimmy ficou sabendo disto e teve que ir salvá-lo. 

A gravação desta missão demora uma eternidade para carregar, quando ela carrega, mostra Jimmy, Gary e Pete jogando pôquer em uma mesa do dormitório dos meninos.

Pete estava chorando muito, e Gary fala "Ei, garotinha, como foi o seu tempo com o zelador? Eu aposto que você gostou.", Gary fala zombando de Pete, mas Pete responde: "Deixe-me em paz, Gary! Eu estou cansado desta vida, estou cansado de você sempre me zoar, eu vou acabar logo com isto!", então, ouve-se um barulho devastador, Gary diz satisfeito "Oh, Pete, faça isto de novo!", depois desta parte estranha, o jogo levou ao porão da escola, o objetivo falava "Encontre o zelador Luntz" em letras de sangue.

Eu procurei no porão inteiro, e nada encontrei, mas havia uma parte do porão que eu não conhecia, era um elevador que ficava em um corredor, para chegar neste elevador, eu fui pelo corredor, assim que eu entrei no elevador, eu apareci em um depósito abandonado, mas era uma gravação, era um lugar onde haviam várias pessoas mortas penduradas como animais em um matadouro, havia o corpo de uma menina morta com os ossos expostos pendurados, e ao lado deste corpo havia o Pete pendurado, mas ainda vivo. Do lado de Pete, estava o zelador com um martelo esmagando Pete, Jimmy tentou acertar o zelador com um martelo, mas ele errou e então o zelador olhou para Jimmy e disse "Tentou me acertar com o martelo? É isto que eu vou fazer com você depois!", o zelador estava esmagando o estômago de Pete, aquilo foi uma cena horrível, o jogo deu um zoom no rosto de Pete, Pete estava sangrando e o zelador estava espancando ele sem nenhuma dó.

Depois desta cena, Pete falou com uma voz fraca: "Eu juro que não vou mais voltar aqui, por favor, deixe-me ir!", o zelador fala: "Hoje não!!", tudo estava em má qualidade, menos Jimmy, Pete e o zelador, depois desta gravação, eu aparecí naquele mesmo lugar, a gravação já tinha acabado e o zelador continuava massacrando Pete, eu peguei o estilingue e acertei uma pedra no zelador, mas a tela ficou preta, como se eu tivesse perdido a luta com o Russell, depois disto, apareceu outra gravação, esta gravação mostrava Jimmy correndo do zelador, Jimmy desce pelo elevador rapidamente e assustado, mas ele cai no chão e o zelador puxa as pernas dele e o arrasta, depois disto, a gravação acaba, Jimmy tinha morrido, o zelador vai fazer com ele a mesma coisa que fez com Pete, matá-lo.

Depois daquela gravação, o jogo volta para "Welcome to Bullworth", a primeira missão do jogo, como se Jimmy tivesse morrido e o jogo reiniciou, então eu entrei no meu save e fiz a missão novamennte, pela segunda vez, no começo, foi tudo do mesmo jeito, mas quando eu cheguei no elevador, o zelador não estava lá, então eu corri até o Pete, Jimmy tirou ele da corda e o salvou, os dois foram embora, o zelador não estava mais lá. Depois disto, eu tive que ir até a sala do diretor, Jimmy contou tudo, o diretor chamou a polícia e o zelador foi preso, mas parece que a polícia não descobriu aquela sala onde o zelador torturava pessoas, a missão foi completada e eu ganhei um martelo como recompensa, eu fui até o quarto do Jimmy, quando eu cheguei lá, havia um martelo com sangue, era o mesmo martelo do zelador, Jimmy roubou dele na missão, eu peguei o martelo e fiquei testando ele, eu aproveitei para bater no Trent (Personagem do jogo), depois disto, a noite chegou e eu tive que ir dormir, quando Jimmy deitou na cama, apareceu o rosto de uma menina na janela do quarto de Jimmy, era a mesma menina que estava na sala de tortura do zelador, a tela ficou preta e o jogo fechou automáticamente, eu tentei entrar no jogo de novo, mas ele não abriu, o jogo nunca mais abriu. 

Desafio do elevador

O desafio do elevador

1-entre no elevador sozinho(o elevador deve estar vazio também)
2-Quando entrar no elevador,siga a ordem: 4º andar>2º andar>10º andar(se alguém entrar no elevador em algum desses andares o ritual sera desfeito)
3-bom,quando chegar no 10º andar pressione o botão do 5º andar sem sair
4-quando você chegar no 5º andar uma mulher jovem vai entrar no elevador(não fale com ela)
5-depois que a mulher entrar pressione o botão do 1º andar
6-ao invés do elevador lhe levar para o 1º andar ele irá subir lhe levando para o 10º andar(você pode pressionar algum outro andar,mas essa será sua ultima chance de desistir do ritual)

existe apenas um modo de saber se você foi bem sucedido no ritual,o mundo que você chegou deve ter apenas uma pessoa,ou seja,você
eu nao sei o que acontece depois que você chega lá.
mas posso dizer uma coisa,a mulher que entra no 5º andar não é humana

Jantar de deus

Um dia você vai estar dirigindo em uma longa estrada de duas pistas. Não haverá outros carros, nenhuma placa, nem animais, nem mesmo as aves que voam no céu. Só existirá você e a estrada, que se estende para algo como o infinito por meio de um deserto estéril. Você pode dirigir para sempre por este caminho, ou então, seguir minhas instruções. Vire-se, e continue dirigindo. Nada vai acontecer. Você vai continuar a dirigir para sempre, nunca vai haver um fim.
No entanto, você pode começar a se preocupar quando perceber que está sem gasolina. Se você verificar o medidor de combustível, você vai notar que ele está um pouco menor do que a última vez que você verificou.
Você também pode sentir um pouco de fome. Verifique seus bolsos ou o porta-luvas do carro para procura alimento, você não vai encontrar nenhum. Você não vai se importar muito, porque você não está com tanta fome assim. Você vai continuar dirigindo nessa estrada, aparentemente sem fim.
Enquanto você dirige sem parar, sua fome vai crescer. Seu medidor de combustível ficará cada vez mais menor a cada vez que você olhar para ele. Quando você estiver faminto e quase sem gasolina, você vai ver um posto de gasolina e ao lado, uma lanchonete. Você verá ao lado dessa lanchonete, uma enorme placa, dizendo: "O Jantar de Deus".
Você vai sair do carro, aliviado por ter encontrado este lugar, neste trecho desolado da estrada. Encherá o seu carro com gasolina, e vai para a lanchonete comer e saciar sua fome. Após isso, você vai ver uma barra à sua direita, com vários bancos pequenos. Algumas cabines vão até a sua esquerda. O chão é coberto com telhas desgastadas, e as paredes são feitas de madeira.
Seus olhos vão percorrer pelo lugar, até para-los em um homem parado, limpando o balcão com um pano velho. Ele é um homem negro, com uns 60 anos, com cabelo branco e barba áspera. Você pode ver a vida nos vincos de seu rosto, como se ele tivesse experimentado muitas coisas. Você mal pode ver seus olhos, mas você pode dizer que eles tem calor e profunda sabedoria, e quando ele olhar para você, você vai perceber algo diferente neles. Dizem que os olhos são as janelas da alma, mas os olhos deste homem são a sua própria alma, contida dentro deles. Você vai se sentir perdido por um momento, mas quase imediatamente você vai voltar para a realidade.
Lembrando da sua fome, você vai se sentar para comer. Olhando em volta, você vai notar que não há menus ou sinais mostrando o cardápio. Se você perguntar ao homem por um menu, ele vai lhe dar um, com todas as típicas comidas de lanchonete. Ele vai preparar o que você quiser, e vai servi-lo, com pouca conversa. Depois de comer, você vai pagar o homem, e se despedir dele, e vai embora. Se você olhar para trás, você irá ver o homem com uma expressão de tristeza, uma tristeza tão grande que faz com que o seu coração pare por um segundo. Então, você vai virar a cabeça e irá até o seu carro. Quando entrar no seu automóvel, na mesma hora, esquecerá tudo o que aconteceu.
Mas, se você escolher não pedir um menu, pergunte: "O que você tem para me oferecer?" O homem vai sorrir e responder: "O que você gostaria de ter?" Neste ponto, você pode pedir qualquer coisa do mundo. Qualquer coisa que você quiser saber, ou seja, faça qualquer desejo, e o homem vai conceder. Você pode perguntar como o assassinato de JFK realmente aconteceu. Ou você pode pedir para ser capaz de voar.
Você pode pedir um carro. Qualquer coisa. Após receber esse item em especial, você vai sair. Se olhar para trás, desta vez, o homem parecerá aflito, quase a ponto de chorar. Você vai até onde estava seu carro, mas ele vai estar vazio. Você vai ficar sozinho com você mesmo, é com o que for que você desejou.
No entanto, se você for corajoso, há uma coisa que você pode pedir, algo terrível, mas poderoso. Peça a ele o último pedaço de torta no prato que está no balcão. Ao dizer isso, o homem vai dar um sorriso e dirá: "Como você quiser". Levantando a tampa, ele vai servir a fatia para você em um prato pequeno, junto com um garfo.
Pegue o prato e coma a torta. Ela não terá um sabor especial para você, sua língua não será capaz de identificar o sabor. Coma tudo, e então devolva o prato para o homem. Você vai pegar a sua carteira, e ele vai simplesmente balançar a cabeça.
Você vai agradecer a ele e irá embora, entrará em seu carro e seguirá seu caminho. Se você olhar para trás neste momento, o homem estará pensativo, olhando para o nada.
O que esta torta vai fazer com você? Bem, quando você começar a dirigir, você vai contemplar todas as coisas. Pensamentos vão entrar em sua cabeça, e você vai conhecer as origens do universo. Você vai saber quem o verdadeiro criador deste mundo. Você vai conhecer os segredos da vida após a morte, e saberá realmente quem você é.
E quando você compreender totalmente todo o conhecimento do universo, você vai sair da estrada.

domingo, 16 de agosto de 2015

Sonic exe gameplay oficial ( cuidado)


Sonic exel

Você provavelmente já jogou algum game do Sonic pelo menos uma vez na vida, não é verdade? Mas tem um jogo do ouriço que você nunca jogou, e provavelmente jamais vai querer jogar: co nheça a história de SONIC.EXE, o game demoníaco do mascote da Sega!

Existe uma coisa que o ser humano sempre irá temer: o desconhecido. E existe uma outra coisa que faz o ser humano entrar no desconhecido, alheio até mesmo aos perigos que ele pode representar: a curiosidade.

A curiosidade é o que nos move adiante e nos empurra para novas descobertas; algumas boas, outras nem tanto. E foi a curiosidade que levou um pobre fã do Sonic aos piores momentos de sua vida na lenda sinistra que você vai conhecer agora.

Tom estava em sua casa jogando tranquilamente o (famigerado) game Sonic Unleashed quando,ao olhar pela janela, reparou que o carteiro havia acabado de deixar as correspondências em sua caixa de correio.

Ele então pausou o game e foi apanhar as correspondências. Ao abrir sua caixa de correio, viu que o carteiro havia deixado apenas uma caixinha de CD e uma carta. Pela letra, Tom reconheceu que a carta era de seu amigo Kyle, de quem Tom não tinha notícias há duas semanas.

Em letras estranhas, como se estivesse com dificuldades para escrever, Kyle dizia:

“Tom,

Eu não posso mais ficar com isso, eu tinha que me livrar disso de alguma forma antes que fosse tarde demais, e eu esperava que você pudesse fazer isso por mim. Eu não consigo fazer isso, ele está atrás de mim, e se você não destruir este CD, ele irá atrás de você também, ele é rápido demais para mim…

Por favor Tom, destrua este disco antes que ele venha atrás de você também… é tarde demais para mim.

Destrua o disco, e você o destruirá, mas faça isso rápido ou ele irá pegar você. E nem mesmo jogue este game, é isso o que ele quer. Apenas destrua-o.

Por favor…

Kyle.”

Tom estranhou a carta de seu melhor amigo, sumido há duas semanas, mas levianamente ignorou os avisos do game. Devia ser algum tipo de pegadinha, afinal. O que um simples game poderia fazer de mal a ele? Era apenas um game e nada mais!

Tom pegou o CD – um simples disco sem nada de especial – onde lia-se nome SONIC.EXE escrito com caneta permanente. Ao ver o nome Sonic, Tom ficou muito empolgado, pois era fã do ouriço,então tratou de colocar o CD em seu computador para jogá-lo.

Após a instalação, a tela de abertura do game apareceu. Era o primeiro game do Sonic, um clássico que marcou gerações. Embora não fosse um jogo novo, Tom ficou imensamente feliz por poder jogá-lo novamente.

Mas uma coisa estava terrivelmente errada: ao apertar start, a tela de abertura mudou por apenas uma fração de segundo antes da tela ficar preta. A imagem que apareceu neste frame era a tela de abertura do game bizarramente distorcida, com o céu escuro, a água vermelha, e onde deveria estar escrito©SEGA 1991 estava escrito ©SEGA 666.

Para piorar, o próprio Sonic estava mudado: seus olhos estavam totalmente pretos e sangravam, exibindo um par de aterrorizantes pupilas vermelhas e brilhantes. Para piorar, estes olhos macabros pareciam olhar diretamente para Tom!

Tom achou curioso, mas foi tudo tão rápido que ele pensou que aquilo era apenas um glitch do game. Após uma tela preta, uma nova tela apareceu com três save files… de Sonic The Hedgehog 3, algo impossível de acontecer!

A tela que mostrava os 3 arquivos de save por si só era muito estranha: o fundo era composto por algo parecido com nuvens vermelho-escuras, como as da fase Bad Stardust Speedway do Sonic CD. E a música que tocava era estranha, bizarra, muito parecida com a que tocava no game Earthbound. 

Tom reparou nos três arquivos de save e mais uma vez se espantou: o primeiro arquivo era um save de Tails. O segundo era um save de Knuckles, personagens que sequer existiam no primeiro game do Sonic.

Ainda mais bizarro era o terceiro arquivo: um save file nomeado como Robotnik, ninguém menos que o arqui-inimigo do Sonic! Vendo todas essas coisas estranhas, Tom concluiu que aqui não eram apenas glitches ou bugs: aquilo deveria ser uma versão hackeada de algum game do Sonic. 

Esta era a explicação mais lógica, pois como seria possível o primeiro game do Sonic possuir save files do terceiro game e ainda contar com o próprio Robotnik como personagem jogável? E além disso… onde estava o Sonic?

Apesar de todas estas bizarrices, Tom não se sentiu amedrontado e resolveu encarar o desafio, escolhendo Tails para começar o game. A tela ficou preta por alguns segundos e uma macabra risada pixelada soou, muito semelhante à risada de Kefka, vilão de Final Fantasy VI.

Então surgiu uma mensagem na tela. Em uma tipografia estranha lia-se apenas “HILL, ACT 1″. Após isso, o game enfim começou, o cenário da clássica Green Hill Zone de Sonic 1 apareceu, e Tails começou a correr ao controle de Tom. 

No entanto, a fase não possuía nenhum inimigo e progredia sempre em linha reta, ao som de uma estranha música que parecia tocada de trás para frente. Após 5 minutos em linha reta, Tails encontrou algo estranho: parecia um dos animais que são salvos ao fim de cada level, mas ele estava morto.

A partir desse momento, a música invertida começou a diminuir de volume e ficar cada vez mais lenta, e uma sucessão de animais mortos começou a aparecer pelo caminho, todos dentro de sinistras poças de sangue e parecendo mutilados. Para deixar tudo ainda mais estranho, a cada animal queTails passava, sua expressão parecia ficar diferente, como se o próprio personagem estivesse ficando triste, se é que isso era possível.

No vídeo abaixo, você pode ouvir o possível tema original deste bizarro SONIC.EXE:

Ao fim da fase, os animais e a música sumiram. Tails continuou correndo até que de repente parou, e diante dele estava Sonic, de costas e com os olhos fechados. Tom estão começou a assistir o que parecia ser umacutscene: Tails parecia estar feliz por rever Sonic, e foi se aproximando lentamente dele.

Conforme Tails chegava perto, um estranho som de estática surgiu e começou a ficar cada vez mais alto. Quando Tails chegou perto de Sonic – que parecia estar ignorando-o – e esticou seu braço para tocar nele, o ouriço abriu os olhos… os mesmos olhos negros com pupilas vermelhas que apareceram no início do jogo.

Depois disso, tudo ficou preto por alguns segundos, e o primeiro contato aconteceu…

No meio da tela preta, uma mensagem cabulosa apareceu para Tom:“Olá. Você quer brincar comigo?”. Como dito, a curiosidade nos move adiante, ela nos dá o desejo de descobrir coisas que não conhecemos, e foi a curiosidade de Tom que prevaleceu sobre seu medo neste momento. Por mais que ele desejasse parar de jogar naquele exato momento, sua curiosidade o obrigou a seguir adiante. “HIDE AND SEEK”, era a próxima fase, título de nenhuma fase conhecida dos jogos do Sonic.

A fase começou, e tudo parecia em chamas. Não havia mais nada no cenário a não ser o chão e o fundo, que mostrava uma das florestas do jogo sendo consumida por um fogo insaciável. Tails estava lá, mas nesta fase ele olhava diretamente para o jogador, fazendo gestos como se estivesse em desespero, como se implorasse para que Tom o tirasse daquele lugar!

Assustado, Tom começou a correr com Tails, como se tentasse sair daquele lugar, e uma música ainda mais sinistra começou a tocar. Durante a corrida, a macabra risada de Kefka ressoou, e imagens do Sonic de olhos negros e vermelhos apareciam em todos os cantos da tela.

Então o próprio Sonic apareceu, seguindo Tails como se estivesse planando sobre o chão. Uma nova e dramática cutscenese iniciou: Tails tropeçou, caiu e começou a chorar. Sonic apareceu diante dele, com seus olhos negros por onde agora escorria sangue, e seu rosto estava diferente, apresentando um sorriso estranho, psicótico, como se ele estivesse apreciando o sofrimento de Tails, que encarava-o horrorizado.

Numa fração de segundo, Sonic avançou para cima de Tails e imediatamente um som muito alto, que parecia um grito angustaido e distorcido ecoou, e a tela ficou preta mais uma vez.

“Você é muito lento, quer tentar novamente?”, desafiou o game macabro, ao som da gargalhada sinistra. Tom estava em choque com o que tinha acabado de ver: Tails estava morto, assassinado pelas mãos do próprio Sonic. 

A tela de seleção de personagens reapareceu, mas o save file de Tails estava diferente. O personagem não estava mais lá, mas no quadro acima, havia uma imagem de Tails, com olhos negros e sangrentos, pelos escuros e uma expressão mórbida no rosto. Tom imediatamente escolheu Knuckles para continuar o game, tentando fugir daquela tela com a imagem morta de Tails.

Novamente a risada maquiavélica foi ouvida em mais uma tela preta, e isso já estava causando arrepios em Tom, ele já não sabia mais em que acreditar: seria tudo isso algumglitch do jogo, uma versão hackeada ou uma brincadeira de muito mal gosto com os personagens de seu jogo favorito?

 Após alguns segundos, o nome da próxima fase apareceu: “YOU CAN’T RUN”. A fase começou, o plano de fundo era a mesma imagem das nuvens vermelhas da tela de seleção dos save files, e não havia nada além do chão metálico no cenário. A música que estava tocando era uma macabra melodia bem familiar: era o tema de Giygas, o mal puro e disforme de Earthbound .

Knuckles começou a correr ao comando de Tom, mas durante sua progressão, o jogo era interrompido vez ou outra por uma estranha estática vermelha. De repente, o chão por onde Kuckles corria ficou encharcado com sangue; poças vermelhas se espalhavam pelo chão e e esguichos de sangue brotavam por todos os lados.

Sonic então apareceu diante de Knuckles, logo após isso surgiu uma tela preta com a mensagem: “fOUNd You!” (te encontrei!). A estática vermelha reapareceu e Knucklessurgiu em pânico. Na sequência, um terrível som incompreensível ecoou. Sonic então voltou a aparecer, envolto numa estranha névoa escura.

Tom já estava ficando cansado daquilo, e tentou fazer Knuckles atacar Sonic. Porém, a cada investida, Sonic apenas desaparecia ao som daquela terrível e incessante risada e reaparecia , ameaçadoramente, atrás de Knuckles.

Uma nova cutscene para assombrar ainda mais Tom: Knuckles, assim como Tails, estava caído no cenário, balançando a cabeça como se estivesse esgotado até o fim de sua “alma” (?!). Sonic apareceu e o atacou; a tela preta reapareceu, mas desta vez não houve nenhuma risada.

Tom ouviu um som alto e distorcido por alguns segundos. “Tantas almas para brincar, tão pouco tempo… Você concorda?” perguntava o jogo. O que era aquilo afinal de contas? Como era possível um simples game fazer aquilo com o jogador? Será que o Sonic (ou o que quer que fosse) estava tentando se comunicar com o próprio Tom? Essas perguntas começaram a pipocar na cabeça de Tom, que estava ficando cada vez mais perturbado.
Com muito esforço, Tom conseguiu libertar sua mente do jogo e desligá-lo. Exausto, ele resolveu tirar um cochilo para tentar relaxar e esquecer todo o horror que aquele jogo estava se tornando… mas isso não aconteceu.

Enquanto dormia, Tom teve o pior pesadelo de sua vida: ele estava num local de pura escuridão, iluminado apenas por uma estranha luz vinda do alto. Ao seu redor, ele podia ouvir os gritos e vozes de Tails e Knuckles, que bradavam coisas como “Nos ajude…”, “Porque você nos entregou a ele?”, “Fuja daqui, antes que ele te pegue…”. 

Quando os choros e gritos pararam, Tom ouviu uma risada sinistra, não a mesma que constantemente ouvia no jogo, mas sim a risada própria do personagem Sonic, mas muito distorcida, macabra, como se fosse a voz algo que não existe… ou não deveria existir. E então ele ouviu a voz do ouriço:

“Você é muito divertido de se brincar garoto, assim como seu amigo Kyle, apesar dele não ter durado tanto… Não vai demorar muito até que você se una a ele e a todos os meus outros amigos…”.

E então Tom viu que, do meio da escuridão,Sonic caminhava em sua direção, com sua imagem indo e vindo de todas as direções. “Você não pode correr garoto. Você está no meu mundo agora. Assim como os outros…”. Sonic agarrou Tom, e ele pôde ver bem de perto aqueles terríveis olhos negros com pupilas vermelhas que jorravam sangue.

Em um sobressalto, Tom acordou deste terrível pesadelo. Suado,  o garoto estava assustado até o fundo de seu coração e só o que desejava agora era jamais er começado aquele jogo estúpido. Porém, contrariando a razão, ele voltou ao seu computador e iniciou o Sonic.exe. Agora era a vez de Robotnik encontrar seu destino.

Knuckles, assim como Tails, estava preso na tela acima de onde seu personagem deveria estar. Pelos escuros, olhos negros, uma expressão morta em seu rosto ensanguentado. A fase de Robotnik começou, seu título era simplesmente: “…”. 

O cenário desta fase não pertencia a nenhum game do Sonic. Ela progredia linearmente com sprites de tochas ao longo do caminho, com uma cortinha vermelha no topo do cenário que descia aos poucos, quase imperceptivelmente, e uma lenta música de piano, que Tom logo percebeu se tratar da música da fase HILL, ACT 1 (onde Tailsencontrara sua morte),  mas dessa vez não invertida.

Após uma longa caminhada, um lance de escadas surgiu. Enquanto Robotnik corria e descia, o cenário ia ficando cada vez mais escuro, assumindo uma mórbida tonalidade vermelha. As tochas começaram a ficar azuis, até enfim ficarem pretas, no último andar, na mais profunda escuridão.
A risada irrompeu, já indicando que algo sinistro viria a seguir. A música foi parando lentamente e, assim como aconteceu com Tails e Knuckles, a figura de Sonic apareceu diante do vilão Robotnik, e junto dele, a estática vermelha tomou conta da tela por um bom tempo.

Quando a estática terminou, Tom viu uma imagem que ficaria eternamente presa em sua mente: era uma imagem do Sonic envolto em escuridão. Porém, não eram sprites, era algo muito realista, como se o personagem fosse real e estivesse do outro lado da tela.

O ouriço exibia um sorriso horripilante, como se estivesse possuído por alguma entidade maligna. Sua cara distorcida exibia dentes pontiagudos, manchas de sangue e restos do que parecia ser carne viva. Seus olhos eram totalmente escuros, como poços sem fundo, e no centro de cada um deles, aspupilas vermelhas brilhavam como algo que não é deste mundo. 

A macabra imagem olhava diretamente para Tom, como se pudesse vê-lo ali, como se olhasse diretamente para sua alma, e continuou assim por vários segundos. A imagem piscou 3 vezes com a maldita estática vermelha, e após a terceira, a risada deKefka foi ouvida novamente, mas profunda, mais distorcida… mais demoníaca.

Então uma mensagem apareceu na tela, em letras vermelhas: “I AM GOD.” (EU SOU DEUS.)

Tom começou  gritar quando a imagem do Sonic se aproximou mais da tela, abrindo a boca mais e mais enquanto emitia um grito extremamente agudo. Lá no fundo da bocarra do ouriço, havia um abismo em espiral que parecia levar para as profundezas de onde quer que este Sonicendemoniado tenha surgido. Mais uma vez, a estática tomou conta da tela, acompanhada de um som tão alto e agudo que os ouvidos de Tom vibraram de dor, obrigando-o a tapá-los com as mãos.

A tela ficou preta novamente, e em seu monitor, a seguinte mensagem apareceu: “Ready for Round 2, Tom?” (Pronto para o Round 2, Tom?). A partir daí, a risada tomou conta, Sonic ria enquanto Tom estava imóvel em frente ao seu computador, ria de forma tão clara como se estivesse dentro do quarto.

Sonic, ou o que quer que fosse aquilo atrás da tela, era uma criatura cruel, sádica, maléfica e de extremo poder, que se divertia ao causar o sofrimento dos outros. Tom começou a pensar em Tails, Knuckles, Robotnik e até em seu amigo Kyle. Teria aquela criatura medonha realmente matado seu amigo e seus personagens tão queridos?

O round 2 começou, e a tela de seleção de personagens apareceu novamente. Lá estavam Tails e Knuckles, e agora junto a eles estava Robotnik, com sua pele cinza, bigode escuro e caído e óculos quebrados, por onde sangue escorria. Todos estavam mortos. Depois disso o computador de Tom desligou-se por conta própria e não ligou mais…

Sonic estava conseguindo o que queria, ele estava trazendo Tom para dentro de seu mundo, afogando-o em desespero, encurralando-o em um mundo de terror e escuridão.

Tom conseguiu com muito custo religar o computador, mas não conseguia de forma alguma tirar o CD do game do drive. Então, de repente, seu sangue gelou, pois ele ouviu uma voz aterrorizante às suas costas:

“Tente manter isso interessante para mim, Tom”.

Tom se virou, e gritou de desespero com o que ele viu! Sentado em sua cama, olhando diretamente para ele… havia um boneco de pelúcia de Sonic, sangrando pelos olhos!

Não se sabe qual é o fim dessa história, ou o que aconteceu com Tom, ou mesmo com o temível CD contendo o jogo Sonic.exe . A origem do dico é igualmente misteriosa.

Fica a pergunta: quem, ou melhor, o que era o Sonic que atormentou a vida de Kyle e Tom? Teria o tenebroso Giygas invadido outro jogo para continuar perpetrando o terror? Tudo isso são mistério que permanecem sem solução. 

Piloto Automático

Alguma vez você já se esqueceu onde deixou seu telefone ? 

Quando você percebeu que tinha esquecido? Eu acho que você não tenha batido a mão na sua testa e gritado “puta merda, onde deixei meu celular?”. Você não sentiu falta dele, no começo. Mas provavelmente, colocou a mão no bolso e só então percebeu que não sabia onde ele estava. Então você começa a tentar se lembrar da ultima vez que o viu. 

Merda. 

No meu caso, o alarme do meu celular me acordou como sempre, mas percebi que a bateria estava fraca. Era um celular moderno e ele tinha esse hábito irritante de deixar aplicativos abertos, que drenavam a bateria durante a noite. Então, eu o deixei carregando enquanto eu tomava banho, ao invés de te-lo colocado na minha mochila como sempre. Foi um lapso momentâneo, mas foi o suficiente. Uma vez no chuveiro, meu cérebro voltou para a 'rotina' que sigo todas as manhãs. 

Eu esqueci..
Isso não foi simplesmente um deslize meu, como descobri depois. Isso é uma função do cérebro conhecida. Nossos cérebros não trabalham em apenas um nível; eles trabalham em vários. Tipo, quando você está caminhando em algum lugar, você pensa sobre o seu destino e evita os obstáculos, mas você não precisa pensar em manter suas pernas se movendo normalmente. Se pensássemos, o mundo inteiro se tornaria em um enorme e hilariante simulador. Eu nunca precisei pensar em manter minha respiração normal, preferia pensar no que comeria de café da manhã. Depois eu não me concentraria em digerir meu café da manhã, mas estaria pensando se ia dar tempo de pegar minha filha, Emily, na creche, após o trabalho, ou se ia ficar preso em outro congestionamento. Mas é essa a questão; há um nível no seu cérebro que lida apenas com a rotina, assim, o resto do cérebro pode pensar em outras coisas. 

Pense nisso. Pense no seu último trajeto. O que você realmente lembra? Pouco, se é que se lembra de algo. As tarefas mais comuns se embaraçam em uma só, e relembrar qualquer uma delas é comprovadamente difícil. Faça algo frequentemente e se tornará rotina. Continue fazendo alguma coisa e isso parará de ser processado pela parte pensante do cérebro e irá para a parte do cérebro dedicada à rotina. Seu cérebro continuará fazendo, sem você pensar nisso. Repare que você precisa pensar na rota para o trabalho tanto quanto “precisa” pensar para manter suas pernas em movimento enquanto caminha. Ou seja, você não pensa. 
A maioria das pessoas chama isso de piloto automático. Mas tem um perigo aí. Se você tem um quebra na rotina, sua habilidade de lembrar e considerar essa mudança é tão boa quanto sua habilidade de fazer o cérebro parar de seguir o modo de rotina. O piloto automático me fez acreditar que o celular estava na minha mochila o dia todo, mas o fato dele estar descarregado e que precisei deixa-lo carregando, quebrou minha rotina da manhã. Eu entrei no chuveiro como sempre e rotina começou. Com exceção do celular não estar na mochila. 

Piloto automático ativado. 

Meu cérebro estava de volta à rotina. Tomei banho, me barbeei, ouvi o rádio dando a previsão de um clima incrível, dei à Emily seu café da manhã e a coloquei no carro (ela estava tão adorável naquela manhã, reclamando do calor e do “sol mal” cegando-a, dizendo que ele a impediu de dormir no caminho para a creche) e saí. Essa era a rotina. Não importava se meu telefone estava no balcão, carregando silenciosamente. Meu cérebro estava na rotina e meu celular deveria estar na minha bolsa. Então esqueci meu telefone. Nenhum deslize. Nenhuma negligência. Nada além do meu cérebro entrando no modo rotina e se esquecendo dos fatos. 

Piloto automático ativado. 

Fui para o trabalho. Era um dia quente. O volante estava escaldante quando sentei. Acho que ouvi Emily sentar atrás do meu banco, para ficar longe da minha vista. Mas fui para o trabalho. Mandei relatórios. Participei da reunião da manhã. Mas a ilusão não foi quebrada até eu tirar um rápido intervalo para o café e pegar meu telefone. Eu refiz os passos mentalmente. Me lembrei da bateria terminando. Me lembrei de tê-lo colocado para carregar. Eu lembrei de tê-lo deixado lá. 

Meu telefone estava no balcão. 

Piloto automático desativado. 

Novamente, é aí que mora o perigo. Até aquele momento, o momento em que fui pegar meu telefone e quebrei a ilusão, aquela parte do cérebro ainda estava no modo rotina. Não havia razão para questionar os fatos da rotina; é por isso que é uma rotina. Pura repetição. Não é como se alguém fosse dizer “Por que você esqueceu o seu telefone? Isso não lhe ocorreu? Como poderia ter esquecido? Você deve ser negligente”; esse não é o ponto. Meu cérebro estava me dizendo que a rotina estava normal, apesar do fato de que não estava. Não é que eu tenha esquecido o telefone. De acordo com o meu cérebro, de acordo com a rotina, meu telefone estava na bolsa. Por que eu iria pensar em questionar isso? Por que eu checaria? Por que eu me lembraria de repente, do nada, que meu telefone estava no balcão? 
Meu cérebro estava preso à rotina e a rotina dizia que meu telefone estava na bolsa. 

O dia continuou quente. O mormaço da manhã deu lugar ao implacável calor febril da tarde. O asfalto borbulhava. Os raios diretos de calor ameaçando a rachar o pavimento. As pessoas trocavam cafés por refrigerantes gelados. por Jaquetas descartadas, mangas arregaçadas, gravatas afrouxadas, sobrancelhas enxugadas. Os parques lentamente sendo ocupados por pessoas tomando banho de sol e fazendo churrascos. Janelas estalando com o calor e ameaçando deformar. O termômetro continuava a subir. Ainda bem que os escritórios tinham ar condicionado. 

Mas, como sempre, esse inferno de dia deu lugar a uma noite mais fria. Tempo é dinheiro. Ainda me xingando por ter esquecido o telefone, dirigi para casa. O calor do dia havia assado o interior do carro, deixando um cheiro horrível. Quando cheguei na entrada da garagem, as pedras foram trituradas confortavelmente embaixo dos pneus, enquanto minha esposa me saudou à porta. 

- Onde está a Emily? 

Merda. 

Como se ter esquecido o telefone não fosse ruim o bastante. Depois de tudo isso, eu deixei a Emily na porra da creche. Imediatamente, acelerei até a creche. Cheguei até a porta e comecei a praticar minhas desculpas, imaginando vagamente se poderia sair dessa vergonha com meu charme. Eu vi um pedaço de papel preso na porta. 

“Devido aos vandalismos durante a noite, por favor use a entrada lateral. Apenas hoje.” 

Durante a noite? O quê? A porta estava boa está manh… 

Eu congelei. Meus joelhos tremeram. 

Vândalos. Uma mudança na rotina. 

Meu telefone estava no balcão. 

Eu não estive aqui essa manhã. 

Meu telefone estava no balcão. 

Eu passei direto pois estava bebendo meu café. Eu não larguei a Emily. 

Meu telefone estava no balcão. 

Ela moveu seu assento. Eu não a vi no espelho. 

Meu telefone estava no balcão. 

Ela adormeceu no carro. Ela não falou quando eu passei pela creche. 

Meu telefone estava no balcão. 

Ela mudou a rotina e eu esqueci de traze-la. 

Meu telefone estava no balcão. 

Nove horas. Aquele carro. Aquele sol escaldante. Sem ar. Sem água. Sem energia. Sem ajuda. Aquele calor. Um volante quente demais para tocar. 

Aquele cheiro. 

Eu andei até a porta do carro. Tremendo. Chocado. 

Eu abri a porta. 

Meu telefone estava no balcão e minha filha estava morta. 

Piloto automático, desligado.